O canto da alma: aiê! (por Carine Corrêa)

com

7 de junho de 2018

Os sons que produzimos são ondas que captamos da ressonância do planeta Terra e manifestamos em nossa existência. A explicação cósmica da fala, do canto em grupo, só poderia vir da cantoterapeuta Norma. Quem já participou em alguma de suas dinâmicas, sabe que não há métricas a serem seguidas, e que as manifestações sonoras são acompanhadas pelos movimentos do corpo. Sentimos legitimamente a autenticidade de nossa voz, e como a diversidade é um dos elementos que a torna única.

Com a proposta do Coral Integrando Vozes, as voluntárias eu, Juliana Salú e Camila Kneip – que até então estávamos na imersão do programa -, pegamos carona em uma das aulas de Norma, com o grupo formado pelas estudantes do Despertar da Consciência: a querida Bel, a graciosa Ana Fanelli e a estudiosa Gláucia Pereira. Para iniciar a sessão terapêutica sonora, a maestra sugeriu um cuidado com nossos pés, seguida de uma série rápida de alongamentos e massagens para enfim soltarmos nossas cordas vocais. A sessão aconteceu na Sala da Mata de Nazaré, no inverno de 2017. Nossos pés tocavam o centro da flor-mandala do espaço.

Entre os cantos entoados, um versinho africano e o “Evoe”, uma saudação greco-romana. Exercitando minha garganta naquele grupo recordo de uma atividade que vivenciei em uma das aulas de Norma, no inverno do ano anterior como parte do retiro Viver em Grupo, com os queridos Willian Alves, Ricardo Barros, Priscila Rivas, Diógenes e Rodrigo Toledo.

A proposta feita pela maestra naquela ocasião foi entoar as vogais do nome e saudá-las ao grupo. Como o meu é Carine, retirando as consoantes “C”, “R”, e “N”, restam as vogais “A”, “I” e “E”. Inspirada pelos índios, escolho entoá-las como “Aiê!”. O grupo então, que ouviu a pronúncia “Aiê”, saudou as minhas vogais três vezes: “Aiê”, “Aiê”, “Aiê! Naquele momento a sensação era que eu estava em uma tribo, e que os irmãos da aldeia honravam a mim através daquele canto; vogais que contam e cantam a minha história porque são resultantes da fonética que recebi pela minha mãe nesse encarnar da Terra.

E não é difícil se tele-transportar para uma aldeia ou para solo africano nas aulas de Norma. Durante a aula do Integrando Vozes, a cantoterapeuta nos fez cantar em roda, batendo os pés. Como a roda era composta apenas por mulheres, a sensação era que o Sagrado Feminino estava sendo ancorado pela união das vozes. Um poderoso canto. Fora os ensinamentos da professora revelando o significado de alguns sons. A letra “O”, por exemplo, é um círculo em alusão a comunhão. Faça o teste: abra os braços formando a vogal e a sensação será de união; comunhão. A letra “A”, segundo Norma, “Aaaaaabre”. Propõe para abrirmos o tórax acompanhando a vocalização.

A letra “I”, me veio agora, ao escrever o texto. Fui me atentar a coluna que não estava ereta, e logo lembrei do cordão invisível que a letra nos remete.

– “Pensa em um cordão invisível, nos conectando entre o céu e a terra”, disse a maestra.

Deve ser um dos segredos de Nazaré Uniluz: um espaço para acessar essa conexão.
Meu nome é Carine, assim falei, Aiê!

Carine Corrêa é poetisa, publicitária e jornalista. O artigo foi inspirado nas aulas de (en)canto da maestra Norma Sá Pereira.


3 respostas para “O canto da alma: aiê! (por Carine Corrêa)”

  1. Gilson disse:

    Recebi por minha amiga Bel. Goste muito e fico feliz por ver o esforço de pessoas que querem crescer atra vez de expedientes como esse num mundo que tanto vem precisando tratar suas almas. Obrigado.

  2. Maria Isabel R. CAVALHEIRO disse:

    Que bom, Carine que você registrou estes momentos de verdadeira expansão nas aulas que se transformavam em pura meditação da querida Norma.
    Grata, Carine por está lembrança, este prazer da clareza da sua escrita e da sua pessoa, que se revela.
    Também trago guardados aqui dentro de mim, nossos momentos, nossas conversas nas horas de almoço, sempre em ressonância com as nossas almas.
    Gratidão a Norma, você e a todos e principalmente este campo de luz de Nazaré, que possibilita este Totalidade.

  3. Camila Kneip disse:

    ❤️❤️ que delicia relembrar esses dias ❤️❤️

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *